De que forma as eleições impactam o dólar e os investimentos no Brasil
Descubra de que forma as eleições influenciam o dólar e seus investimentos, explorando o histórico eleitoral e as melhores estratégias para cuidar do seu dinheiro.
Atenção: entenda como as eleições influenciam o dólar e o seu dinheiro

Se nas últimas semanas você acessou o app do banco e percebeu que o dólar oscilou de forma brusca de um dia para outro, saiba que existe um motivo para isso.
Compreender de que forma as eleições impactam o dólar é fundamental para proteger seu dinheiro, seja para pagar uma viagem, fazer uma compra em moeda estrangeira ou para investir sem correr o risco de perder valor.
As últimas pesquisas indicam um empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), enquanto o Brasil também sente o impacto da alta dos juros nos Estados Unidos.
Neste guia, você vai descobrir o que a história das eleições anteriores revela, quais fatores estão influenciando o câmbio atualmente e o que prestar atenção para proteger seus investimentos.
Eleições e dólar: qual é o impacto direto?
O principal motivo pelo qual as eleições influenciam o dólar é a incerteza fiscal.
Os investidores ficam inseguros sobre como o novo governo administrará as finanças públicas, o que faz com que exijam retornos maiores para manter o capital no Brasil ou optem por retirar seus recursos do país.
Na prática, esse processo ocorre em quatro fases:
- Antes do primeiro turno, cada pesquisa eleitoral influencia o câmbio;
- Após o primeiro turno, a incerteza diminui e o dólar tende a cair;
- Durante o intervalo entre os turnos, a volatilidade retorna, mas geralmente é menor;
- Após a posse, o câmbio reage às primeiras decisões econômicas do novo governo.
Uma análise feita pela Remessa Online, baseada nos dados da PTAX do Banco Central, destaca que não é possível prever para onde o dólar vai após a eleição, mas dá para estimar o quanto ele pode oscilar.
O que os dados históricos revelam sobre o dólar nas eleições recentes
Um padrão que sempre se repete
Nas últimas três eleições presidenciais (2014, 2018 e 2022), o dólar registrou queda logo após o primeiro turno, variando entre 2,9% e 3,8%.
Isso acontece porque parte da incerteza desaparece quando o mercado identifica quem avançou para o segundo turno.
Nos 30 dias que antecederam a votação, o dólar apresentou comportamentos distintos: subiu 11,2% em 2014, enquanto em 2018 caiu 6,7%.
Por isso, tentar antecipar a cotação do dólar com base em quem está na frente das pesquisas eleitorais geralmente não funciona.
2002, um caso emblemático
A eleição de 2002 é frequentemente lembrada quando se discute a influência da política sobre o câmbio.
Naquele ano, o dólar, segundo a PTAX do Banco Central, subiu de aproximadamente R$ 2,30 em janeiro para quase R$ 3,95 em outubro.
A Avenue descreve 2002 como um ano marcado por uma “fragilidade externa incomum, que não voltou a ocorrer”. Atualmente, o Brasil conta com reservas internacionais robustas e um câmbio flutuante, reduzindo o risco de um choque parecido com aquele.
O panorama de setembro de 2026: por que o dólar está apresentando tanta volatilidade?
As pesquisas realizadas em setembro revelam uma disputa acirrada, voto a voto.
A pesquisa da Quaest, divulgada em 22 de setembro, indicou empate técnico entre os dois principais candidatos, com percentuais entre 41% e 42%, conforme a Forbes Brasil.
O mercado acompanha atentamente cada nova pesquisa. Em 2 de setembro, uma pesquisa com empate técnico fez o dólar subir para R$ 5,10 e impulsionou o Ibovespa a crescer mais de 3%, segundo a CNN Brasil.
Analistas chamam isso de “trade eleitoral”: operações que buscam antecipar os resultados das eleições.
Copom reduz Selic para 13,75%
Na reunião realizada em 16 de setembro, o Copom decidiu, por unanimidade, baixar a Selic para 13,75% ao ano.
O comunicado mencionou uma “moderação gradual da atividade econômica” e prevê que o IPCA de 2026 será de 5,2%, acima do limite máximo da meta.
O cenário base do Banco Central considera o dólar cotado a R$ 5,15. Com a queda da Selic, o Brasil perde um pouco do seu apelo para investidores estrangeiros que buscam juros elevados, o chamado carry trade, o que pode enfraquecer o real.
Fed aumenta juros e pressiona economias emergentes
No mesmo dia, o Federal Reserve elevou a taxa de juros dos EUA em 0,25 ponto, alcançando o intervalo entre 3,75% e 4,00%.
Conforme o InfoMoney, essa foi a primeira elevação desde 2023, e 16 dos 18 membros do Fed esperam uma nova alta até dezembro.
O aumento dos juros nos EUA atrai investimentos para lá, reduzindo a diferença em relação às taxas brasileiras. Juntando isso à incerteza eleitoral, explica por que o dólar não cai mais.
Situação atual do dólar
Apesar de toda a agitação causada pela eleição, o dólar registra uma queda acumulada em 2026.
As estimativas para o dólar em dezembro variam pouco, ficando entre R$ 5,15 e R$ 5,30. Isso reflete que o mercado prevê instabilidade, mas não uma crise grave.
O que os especialistas estão dizendo?
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, resumiu o cenário para a CNN Brasil: “Não enxergo um cenário catastrófico, mas também estamos longe de qualquer otimismo exagerado”.
Ele destaca que a questão fiscal é o fator mais importante: “Independentemente de quem vencer, haverá um sinal sobre o grau de compromisso com o equilíbrio fiscal”.
Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, junto com André Valério, economista sênior do Inter, também acompanham esse tema.
As instituições onde trabalham estimam o câmbio para o final do ano em R$ 5,30 e R$ 5,15, respectivamente.
Essa diferença de 15 centavos entre os dois grandes bancos evidencia o quanto a eleição ainda pode impactar o cenário.
Como as eleições influenciam o dólar e cada tipo de aplicação financeira
Essa categoria é a que menos sofre com as oscilações durante o período eleitoral.
Com a Selic em 13,75%, o retorno permanece elevado mesmo após o corte. Os CDBs ainda contam com a proteção do FGC, que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição.
Por isso, muitas pessoas utilizam essas aplicações como reserva de emergência e um refúgio seguro em períodos de instabilidade.
Prefixados e Tesouro IPCA+
Esses títulos são os mais afetados pelas eleições. Quando o mercado teme um descontrole fiscal, as taxas futuras aumentam e, consequentemente, o preço desses papéis cai na marcação a mercado.
Quem mantém o título até a data de vencimento garante a taxa acordada. Já quem precisar vender antes pode acabar com prejuízo.
Para os que compram agora, a instabilidade pode representar taxas maiores no momento da aquisição.
Ações e Ibovespa
A bolsa reage rapidamente a cada pesquisa. O caso de 2 de setembro, com alta superior a 3% num único dia, demonstra bem isso.
Empresas estatais e dos setores regulados (como bancos públicos, energia e saneamento) apresentam maior volatilidade, pois o resultado eleitoral influencia as expectativas sobre o controle e as normas desses segmentos.
Dólar, ETFs e aplicações no mercado internacional
Manter parte dos seus investimentos em moedas fortes serve como proteção (hedge), não como uma aposta de ganho rápido.
Tentar comprar dólar pouco antes da eleição para ganhar dinheiro é pura especulação.
Historicamente, o dólar cai cerca de 3% a 4% após o primeiro turno nas eleições recentes, e quem compra no auge pode acabar no prejuízo.
Datas importantes de setembro que impactam seu bolso
- 7 de setembro, Independência: feriado nacional sem pregão na B3. Este ano, coincidiu com a reta final da campanha e manifestações nas ruas;
- 15 de setembro, Dia do Cliente: data importante para o varejo. Com o dólar em queda no ano, as compras do exterior ficaram um pouco mais acessíveis que em 2025;
- 16 de setembro, “superquarta”: decisões do Copom e do Fed no mesmo dia, o principal evento macroeconômico do mês.
- Final de setembro: últimas pesquisas antes do primeiro turno em 4 de outubro, com o horário eleitoral gratuito já no ar desde o fim de agosto.
Setembro Amarelo e o impacto da ansiedade financeira
Setembro é também o mês dedicado à conscientização sobre saúde mental.
Notícias sobre o dólar e as eleições afetam o emocional de quem tem dívidas ou planos em moedas estrangeiras.
Tomar decisões financeiras importantes por impulso, influenciado pelas notícias, é um dos erros mais frequentes em anos eleitorais.
5 dicas essenciais para o período eleitoral
- Não concentre a compra de dólar em um único dia. Se você tem viagem ou compra marcada, divida as compras ao longo de semanas para chegar a um preço médio;
- Mantenha a reserva de emergência em pós-fixados. Com a Selic a 13,75%, liquidez e rendimento andam juntos;
- Evite vender títulos prefixados ou IPCA+ no pânico. A marcação a mercado é temporária para quem leva o título até o vencimento.=;
- Diversifique entre moedas como estratégia, não como aposta. Uma parcela fixa em ativos no exterior protege o patrimônio sem depender do resultado da eleição;
- Acompanhe o fiscal, não só as pesquisas. O que mais pesa no câmbio a médio prazo são as regras para as contas públicas que o eleito vai propor.
Visão do autor
Após acompanhar quatro eleições presidenciais cobrindo finanças, aprendi que a maior lição é: quem tenta prever o resultado acaba perdendo dinheiro em ano eleitoral.
Os indicadores de 2026 mostram um mercado apreensivo, mas ainda longe do pânico.
O dólar está próximo dos R$ 5,20, as projeções dos principais bancos estão bastante alinhadas e a Selic permanece alta o suficiente para quem busca segurança obter bons retornos.
Para o brasileiro que está planejando suas finanças, o ideal é deixar de tentar prever o câmbio e construir uma carteira que resista a qualquer cenário: uma reserva de emergência em investimentos pós-fixados, uma parte em moeda forte adquirida gradualmente e paciência com os títulos de longo prazo.
O processo eleitoral se estende por semanas, mas as escolhas financeiras que você faz hoje impactam sua vida por muitos anos.
