Cresce o número de negativados: confira os riscos para o seu orçamento
Descubra os motivos por trás do aumento de pessoas com restrições de crédito no Brasil, confira os dados mais atuais e aprenda a cuidar melhor do seu orçamento.
Alerta financeiro: por que o número de negativados voltou a crescer?

O número de negativados está aumentando no Brasil, sinalizando um alerta para quem precisa controlar gastos, quitar dívidas e manter as finanças familiares equilibradas.
Mesmo com renda fixa, muitas pessoas encontram dificuldades para arcar com todas as contas. Juros altos, parcelas acumuladas e imprevistos tornam o desafio ainda maior.
Em agosto de 2026, o Brasil contabilizou 83,98 milhões de pessoas com dívidas em atraso, conforme dados da Serasa, atingindo um recorde histórico na base de referência da empresa.
Com a chegada do último trimestre, o orçamento pode ficar ainda mais apertado devido a gastos com presentes, viagens, festas de fim de ano e despesas previstas para o começo do ano seguinte.
Mas afinal, por que tantas pessoas encontram dificuldade para quitar suas contas? E, mais importante, como evitar que as dívidas pesem ainda mais no seu orçamento? Vamos entender!
Por que o número de negativados está aumentando no Brasil?
O crescimento da inadimplência envolve diversos motivos.
Dentre os principais, destacam-se:
- Taxas de juros altas em empréstimos e financiamentos;
- Acúmulo de parcelas no cartão de crédito;
- Elevação dos custos das despesas básicas;
- Imprevistos que afetam o orçamento;
- Dificuldade em renegociar dívidas com condições favoráveis.
Frequentemente, a dificuldade começa com um atraso pequeno.
Quando uma conta fica em aberto, outra despesa surge e o dinheiro disponível acaba não sendo suficiente para honrar todos os compromissos.
Isso pode gerar uma sequência de atrasos que dificulta a recuperação da saúde financeira.
É importante destacar que possuir uma dívida não significa automaticamente estar inadimplente. A inadimplência ocorre somente quando uma obrigação financeira vence e não é quitada.
Altas taxas de juros complicam o pagamento das dívidas
Quando alguém não consegue quitar uma fatura ou parcela no prazo, os juros e encargos podem aumentar o montante devido.
Isso reduz ainda mais o valor disponível na renda mensal.
Em julho de 2026, a Agência Brasil publicou dados do Banco Central indicando que, em junho, a taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas atingiu 64% ao ano.
Esse valor representa uma média entre várias operações, e não reflete exatamente o percentual cobrado de cada consumidor.
Mesmo assim, esse dado é útil para entender a importância de comparar as taxas antes de assumir qualquer crédito.
Antes de contratar um empréstimo, verifique o Custo Efetivo Total (CET), que inclui juros e todas as taxas envolvidas na operação.
Como o cartão de crédito e as parcelas podem prejudicar seu orçamento
O cartão de crédito facilita os pagamentos, mas é fundamental organizar-se para evitar problemas.
Pense em alguém que divide em parcelas as compras do supermercado, roupas, eletrodomésticos e outras despesas.
Embora cada parcela pareça pequena, a soma delas pode comprometer grande parte do salário antes mesmo do mês começar.
Se surgir uma situação inesperada, pode faltar dinheiro para quitar a fatura.
Para evitar esse tipo de situação, é importante acompanhar:
- O valor da próxima fatura;
- As parcelas dos meses futuros;
- As despesas fixas recorrentes;
- O limite que realmente cabe no orçamento.
Não basta controlar os gastos atuais. É fundamental saber quais compromissos você já assumiu para os próximos meses.
Despesas essenciais reduzem a margem para imprevistos
Despesas como aluguel, alimentação, transporte, energia elétrica e remédios são custos que muitas famílias têm dificuldade para reduzir.
Quando esses gastos consomem quase toda a renda mensal, qualquer imprevisto pode causar atrasos nos pagamentos.
Uma manutenção inesperada, um custo médico ou uma queda na renda já são suficientes para desorganizar o orçamento.
Por isso, não se pode responsabilizar a inadimplência apenas pela falta de planejamento pessoal.
A combinação entre renda, custo de vida, acesso ao crédito e imprevistos impacta diretamente a capacidade de pagar as contas.
Quem está mais exposto ao crescimento da inadimplência?
A inadimplência pode afetar pessoas de todas as idades e níveis de renda.
No entanto, o impacto das despesas em relação ao dinheiro disponível influencia a capacidade de honrar os pagamentos.
Famílias com renda menor enfrentam maiores desafios
De acordo com dados da CNC de setembro de 2026, 38,5% das famílias com renda até três salários mínimos tinham contas atrasadas.
Nas famílias que ganham mais de dez salários mínimos, essa porcentagem chegava a 15%.
Essa diferença evidencia o quanto a renda impacta na capacidade de enfrentar custos inesperados.
Quem destina quase todo o salário para despesas básicas tem pouca folga para lidar com gastos imprevistos.
Adultos também enfrentam obstáculos para manter as contas em dia
Segundo dados da Serasa de agosto de 2026, a faixa etária de 41 a 60 anos correspondia a 35,8% dos negativados.
O grupo entre 26 e 40 anos representava 33,2% do total.
Essas faixas podem incluir várias obrigações financeiras, como moradia, cuidados com filhos, saúde e suporte a familiares.
Os números indicam a participação dos negativados por faixa etária, não a chance individual de inadimplência.
De que forma a inadimplência afeta o orçamento da família?
Uma dívida em atraso pode trazer impactos que ultrapassam o valor inicialmente devido.
Conforme as cláusulas do contrato, podem aparecer taxas, cobranças extras e limitações no crédito.
Confira os principais efeitos.
Menor disponibilidade de dinheiro para gastos essenciais
Quando o pagamento das dívidas atrasadas consome parte da renda, sobra menos para outras despesas necessárias.
A família pode ter que cortar gastos com lazer, adiar compras ou reorganizar despesas básicas do dia a dia.
Quando surge uma nova conta, o orçamento familiar fica ainda mais comprometido.
Dificuldades crescentes para obter crédito
Estar negativado pode complicar a aprovação de cartões, empréstimos e financiamentos.
Antes de liberar crédito, as instituições financeiras analisam várias informações do consumidor.
Porém, isso não quer dizer que todas as solicitações sejam negadas, já que cada banco tem seus próprios critérios.
O risco cresce quando a pessoa precisa de dinheiro rapidamente e acaba optando por alternativas mais caras.
Analise bem as condições do crédito e fique atento a ofertas que pedem pagamento antecipado para liberar o empréstimo.
Perigo de acumular dívidas adicionais
Pedir um empréstimo para quitar outra dívida nem sempre é a solução ideal.
Essa troca só vale a pena se diminuir os juros e o custo total da dívida.
Por outro lado, se o prazo for apenas estendido e o valor total aumentar, isso pode adiar o problema financeiro.
Compare sempre antes de aceitar qualquer proposta:
- O saldo devedor atual;
- Os juros e encargos;
- O valor das novas parcelas;
- O prazo de pagamento;
- O custo total da operação.
Só vale a pena renegociar se as parcelas forem compatíveis com seu orçamento real.
Outubro pede cuidado redobrado com as despesas de fim de ano
Outubro é o mês que inicia uma fase em que o controle do orçamento precisa ser mais rigoroso.
Com a chegada da Black Friday e do Natal, as compras, parcelamentos e gastos com festas tendem a aumentar.
Quem já enfrenta problemas financeiros precisa redobrar a atenção neste período do ano.
Dicas para não deixar as promoções afetarem seu orçamento
Antes de aproveitar uma promoção, reflita se a compra é realmente necessária e se você tem dinheiro disponível.
Algumas atitudes podem ajudar:
- Estabeleça um teto de gastos para presentes e compras.
- Some os compromissos atuais antes de assumir outros.
- Evite compras impulsivas, mesmo com promoções tentadoras.
- Reserve recursos para gastos certos, como impostos e contas no começo do ano.
- Dê prioridade a dívidas com juros altos, buscando opções de renegociação.
A ideia não é parar de comprar tudo.
Mas sim evitar que escolhas feitas agora prejudiquem sua renda nos próximos meses.
Como agir se seu nome já estiver negativado?
Se o seu nome já está negativado, o primeiro passo é identificar quais dívidas ainda estão pendentes.
Fingir que o problema não existe não ajuda a retomar o controle das finanças.
Confira as dívidas registradas no seu CPF
Confira:
- Quais empresas constam como credoras;
- Quais valores estão sendo cobrados;
- Quando as dívidas venceram;
- Se os dados estão corretos.
Use os canais oficiais dos birôs de crédito e das empresas credoras para consultar suas informações.
Se identificar alguma cobrança desconhecida ou incorreta, peça esclarecimentos antes de realizar o pagamento.
Negocie parcelas que estejam dentro do seu orçamento
Antes de fechar um acordo, analise o valor total da dívida, as parcelas e as datas de vencimento.
Não vale a pena assumir uma parcela que comprometa o pagamento das despesas essenciais.
Entre maio e agosto de 2026, a Serasa registrou 19,7 milhões de acordos, refletindo uma demanda significativa por renegociações.
Se encontrar dificuldades para negociar, busque auxílio no Procon da sua localidade.
A Lei nº 14.181/2021 trouxe ao Código de Defesa do Consumidor novas ferramentas para prevenir e tratar o superendividamento.
Consulte o Código de Defesa do Consumidor para entender as normas vigentes.
Como impedir que o número de negativados aumente ainda mais nas suas finanças?
Certos hábitos ajudam a perceber dificuldades financeiras antes que elas se transformem em atrasos.
Monitore seu orçamento mensalmente
Anote sua renda líquida, despesas fixas, gastos variáveis e as parcelas que ainda precisa pagar.
Uma planilha simples já pode ser uma grande ajuda.
O essencial é saber exatamente quanto sobra após quitar os compromissos básicos.
Quando os gastos ultrapassam a renda, é fundamental ajustar as despesas, procurar fontes extras de receita ou renegociar dívidas.
Monte um fundo de reserva para emergências
Ter uma reserva financeira ajuda a evitar empréstimos quando surgem gastos inesperados.
Se o orçamento estiver apertado, comece poupando valores pequenos sempre que for possível.
O montante deve estar alinhado à sua situação financeira atual.
Reflita antes de assumir um crédito
Antes de se comprometer com um novo empréstimo, analise o Custo Efetivo Total, o montante final a ser pago e como as parcelas impactam sua renda.
Não recorra ao crédito apenas para manter um estilo de vida que seu orçamento não suporta.
Antecipar-se ao vencimento das contas amplia suas chances de negociar e diminui o risco de atrasos futuros.
Opinião do autor
O aumento do número de negativados serve como um sinal de alerta para a estabilidade financeira das famílias brasileiras.
Contudo, a inadimplência não pode ser atribuída somente a escolhas individuais.
Altas taxas de juros, renda limitada, gastos essenciais e imprevistos são fatores que também afetam a capacidade de quitar dívidas.
Os números de 2026 destacam a necessidade de avaliar vários indicadores antes de formar uma opinião sobre a economia do país.
Quem enfrenta dificuldades deve iniciar com ações práticas: identificar as dívidas, analisar os juros, negociar condições viáveis e evitar assumir novos compromissos sem planejamento.
O principal desafio não é só tirar o nome da negativação, mas também manter as contas em dia após a renegociação.
Uma solução financeira viável precisa garantir que o pagamento da dívida não prejudique as necessidades básicas do lar.
